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Questão de atitude

Antenado com a ecologia, o dono desta casa usou madeira manejada e painéis solares para construir seu canto na cidade. Mas o respeito à natureza reside também nas pequenas escolhas, como as paredes de terra.

 

[img0]Arquiteto: Rafic Farah 
Área: 80 m
Localização: São Paulo, SP         
Por que é ecológica: madeira de reflorestamento, paredes de pau-a-pique, aquecimento solar de água.

"Eu queria um barracão para viver isolado no meio das árvores", fala o arquiteto e designer gráfico Rafic Farah sobre sua casa, num agitado bairro paulistano. Exageros à parte, o sossego reina mesmo por aqui. "Tenho afinidade com plantas, com barro. Por isso, fiz paredes de pau-a-pique", diz Farah, defensor da arquitetura com terra. "Trata-se de um sistema durável, barato, ecológico e que resgata nossas raízes", pondera. A técnica aparece neste bloco, que fica nos fundos. A preocupação com a natureza insinua-se ainda em outros pontos do projeto, que o arquiteto chama de auto-suficiente. "Sabia da demora que esta escolha implicaria, mas quis a estrutura de madeira proveniente de manejo florestal", diz, referindo-se à colheita de árvores feita de acordo com critérios ambientais. Descoberta durante as primeiras escavações no terreno, uma nascente irriga o jardim. E painéis solares cuidam do aquecimento da água. Nada disso está evidente para quem visita a morada pela primeira vez. Mas ajuda a explicar de onde vem a sensação boa que emana do lugar.

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A estrutura do pau-a-pique
Com 10 cm de espessura, a massa das paredes utiliza terra retirada do próprio terreno. Farah testou muito até conseguir a consistência ideal: para cada duas latas de 18 litros de terra, uma de areia, meia de cal e 1/4 de cimento. "A cal não pode faltar, porque tem ação desinfetante", observa. A mistura é aplicada primeiro entre as ripas de madeira, dando origem ao miolo da parede. Depois de seca, essa superfície recebe mais uma camada de terra do lado de dentro da casa e outra do lado de fora. Verniz para tijolo dá o acabamento.

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Montada em quatro dias
A estrutura, encomendada de acordo com o projeto do engenheiro Hélio Olga, emprega o jatobá. "Levei em conta sua resistência natural contra cupins", justifica o arquiteto, que comprou madeira proveniente de manejo florestal (o material demorou três meses para chegar à obra). Os pilares não estão enterrados no solo, mas numa laje de concreto. "Esse cuidado evita o contato com a umidade", aponta. Painéis solares da Heliotek ficam sobre a coberturta de telhas cerâmicas.

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Fôrma deslizante de madeira
Para erguer a parede maciça, o arquiteto optou pelo granito conhecido como rachão. "Esse material, altamente impermeável, geralmente é triturado e dá origem à brita. Por isso, sai muito barato", explica Farah. A confecção acontece com a ajuda de duas tábuas colocadas frente a frente, que delimitam a espessura e o comprimento da parede. "Preenche-se o espaço entre elas com as pedras, virando o lado mais liso para as tábuas e assentando-as com cimento", descreve. Depois de pronta uma fiada, sobe-se a fôrma até a altura desejada. Esta parede ficou pronta em cinco dias e tem 7 m de altura e 7 m de comprimento.

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fotos: Luis Roberto Pereira
Ilustrações: Alice Campoy
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